
- No Farol Santander São Paulo, mostra de Vera Uberti ganha configuração inédita e site-specific, transformando a arquitetura do edifício em parte de uma travessia por luz, espelhos, som e alterações de escala
São Paulo, agosto de 2026 – O Farol Santander São Paulo recebe, a partir de 28 de agosto, pela primeira vez na capital paulista, a exposição Reflexos (in)versos — No País das Maravilhas, experiência imersiva da artista ítalo-brasileira Vera Uberti que já teve versões apresentadas no Lago di Garda, na Itália, e no Farol Santander Porto Alegre. Para a estreia em São Paulo, a mostra ganha uma configuração inédita e site-specific, concebida especialmente para o edifício símbolo da cidade e distribuída por duas galerias, nos andares 20 e 19. A arquitetura do Farol Santander passa a integrar a própria experiência: verticalidade, escadas, passagens, reflexos e alterações de escala são incorporados a uma travessia sensorial construída com luz, espelhos, som e cor.
Inspirada no universo de Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll, a exposição não busca reproduzir literalmente seus personagens e episódios. Vera Uberti parte da fábula para criar uma experiência sobre deslocamento, identidade e transformação, na qual situações vividas por Alice — a queda, a urgência, a dúvida e a perda de referências — ganham forma no espaço. O visitante deixa, assim, a posição de mero observador para percorrer ambientes atravessáveis, nos quais corpo, arquitetura, imagem e som tornam-se elementos da experiência.
“É por acreditar na força da arte e no poder da imaginação que o Farol Santander recebe esta mostra. Algumas experiências não terminam quando deixamos a sala expositiva. Elas permanecem conosco, ampliam nosso olhar e, muitas vezes, transformam também a maneira como enxergamos a nós mesmos.”, comenta Bibiana Berg, head sênior de Experiências, Cultura e Impacto Social do Santander Brasil.
A escolha de Alice permite ainda que a mostra opere em diferentes camadas. Para crianças, a fábula pode remeter à aventura, ao jogo e à descoberta; para adultos, lança questões sobre mudanças inesperadas, desejo, dúvida e reinvenção. O País das Maravilhas torna-se, nesse sentido, uma metáfora para a experiência contemporânea de existir em um mundo em permanente transformação, no qual identidade, tempo e direção nem sempre se apresentam como certezas.
“Alice me acompanha porque fala de algo que todos nós experimentamos em algum momento: seguir um caminho sem saber exatamente aonde ele vai nos levar. Gosto da ideia de que cada pessoa possa entrar na exposição trazendo suas próprias memórias, inquietações e perguntas e sair dela com uma experiência que seja só sua. Não me interessa oferecer respostas prontas. Talvez o mais importante seja justamente permitir-se atravessar o desconhecido.”, afirma Vera Uberti.
Uma travessia entre dois andares
O percurso transforma diferentes estados emocionais e perceptivos em experiências físicas e se estende aos próprios deslocamentos entre as duas galerias. Em “Vertigo”, as escadas que conectam os andares 20 e 19 deixam de funcionar apenas como passagem e passam a integrar a obra. Por meio de luz, som e repetição, o eixo vertical é transformado em uma experiência na qual a profundidade parece se prolongar e a arquitetura do Farol Santander São Paulo assume papel ativo na travessia.
A urgência que marca o início da jornada de Alice aparece em “I AM LATE”, na qual a frase se repete em um corredor escuro iluminado por luz rosa, conduzindo o visitante adiante sem revelar exatamente o que o espera. Em “Lago de Lágrimas”, fibras ópticas, som, efeitos de tempestade e superfícies refletivas transformam a emoção em paisagem, criando um ambiente de aparência líquida e luminosa que envolve o público.
As mudanças de escala ganham força em “Metamorfose”, instalação de 4,25 metros por 12,3 metros, formada por tubos físicos iluminados internamente. A estrutura ocupa o espaço como um corpo em transformação e altera a percepção das proporções humanas diante de uma matéria que cresce, dobra e interfere na passagem.
Outros episódios e símbolos da fábula são deslocados para experiências de luz, espaço e percepção. “Jardim das Rosas” cria um campo luminoso marcado pelo excesso e pela multiplicação, ampliando a conhecida questão sobre quem determina a cor das flores para temas relacionados a ordem e controle. Em “PSYCHEDELIC TEA”, instalação de 16,48 m² que comporta até dez pessoas simultaneamente, o ritual do chá dá lugar a uma situação de estranhamento e convivência. Já “O Gato”, representado por uma forma luminosa suspensa, transforma a busca por orientação em uma reflexão sobre escolha e incerteza.
O percurso termina em “Disritmia”, corredor atravessado por fibras ópticas vermelhas que pulsam como um fluxo nervoso, contínuo e instável. Depois das mudanças de escala, do excesso e das dúvidas experimentadas ao longo da exposição, o encerramento não oferece uma resposta definitiva: o visitante deixa o espaço, mas a sensação de instabilidade permanece.
Pipilotti Rist integra a experiência
A exposição incorpora ainda “Open My Glade” (2000–2017), da artista suíça Pipilotti Rist, integrada à narrativa de Reflexos (in)versos — No País das Maravilhas. Projetada em uma tela de 3,2 metros por 2,4 metros, a imagem apresenta em grande escala um corpo que parece pressionar os limites da própria projeção, enquanto o visitante se percebe pequeno diante dela.
A obra dialoga com uma das perguntas centrais da jornada de Alice — “quem sou eu?” — ao explorar as relações entre corpo, limite e identidade. Rosto, mãos e reflexos constroem uma tensão entre aprisionamento e desejo de abertura, inserindo no percurso uma experiência em que olhar também significa ser confrontado.
A exposição conta ainda com texto de abertura de Marcos Moraes, diretor do Museu de Arte Brasileira — MAB FAAP e coordenador dos cursos de Artes Visuais da FAAP. Professor e orientador de Vera Uberti durante sua formação, Moraes acompanha há mais de duas décadas o desenvolvimento de sua pesquisa artística. Para ele, as inquietações presentes no trabalho da artista convidam o visitante a percorrer o espaço por meio do corpo, da percepção e da imaginação, deslocando certezas e provocando novas maneiras de olhar para o mundo.
A exposição Reflexos (in)versos — No País das Maravilhas é apresentada pelo Ministério da Cultura e Santander Brasil; produção Doppio Cultural e realização Complementar Produções Artísticas.
Sobre Vera Uberti
Artista ítalo-brasileira radicada na Itália há duas décadas, Vera Uberti desenvolve sua pesquisa no campo das instalações de grande escala, articulando luz, espelho, som e arquitetura como dispositivos de percepção. Formada em Artes Visuais pela FAAP, construiu uma trajetória entre Brasil e Itália e já apresentou projetos no Lago di Garda e no Farol Santander Porto Alegre, além de trabalhos de escala arquitetônica, como “Stravaganze Imperiale”.
Em Reflexos (in)versos — No País das Maravilhas, a artista aprofunda uma investigação iniciada há mais de duas décadas sobre a relação direta entre obra, ambiente e público, transportando referências literárias e simbólicas para espaços que podem ser fisicamente atravessados.
Serviço Exposição: Reflexos (in)versos — No País das Maravilhas
Artista: Vera Uberti
Local: Farol Santander São Paulo – andares 20 e 19
Abertura: 28 de agosto de 2026
Período: 28 de agosto de 2026 a 31 de janeiro de 2027
Horário de Visitação: terça a domingo / 09h às 20h
Ingressos: a partir de R$ 22,50 (meia)
** Ingresso dá acesso a todos os andares do Farol Santander abertos ao público
** Cliente Santander tem 10% de desconto na compra com cartão do banco
Classificação Indicativa: Livre
Redes Sociais: @farolsantander
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