- A mostra reúne artistas históricos como Hélio Oiticica, Lygia Clark, Mira Schendel e Madeleine Colaço, em diálogo com nomes contemporâneos como Ernesto Neto, Leda Catunda, Adrianna Eu, Alex Rocca, Eva Soban e Jessica Costa.
- Com 29 obras de 30 artistas, a mostra percorre quase sete décadas, a partir de 1950, da produção têxtil brasileira e reúne trabalhos inéditos concebidos especialmente para a exposição.
Press kit online (fotos; vídeo; mini bios; parágrafos institucionais)
São Paulo, julho de 2026 – A produção têxtil ocupa hoje um lugar de destaque na arte contemporânea. Presente em museus, bienais e grandes exposições internacionais, essa linguagem expandiu seus limites muito além da tapeçaria tradicional, incorporando novos materiais, procedimentos e escalas. É a partir desse cenário que o Farol Santander São Paulo inaugura, em 17 de julho, a exposição Tecituras, reunindo cerca de 30 obras produzidas por 30 artistas em um amplo panorama da produção têxtil brasileira. Com curadoria de Denise Mattar e consultoria da artista plástica Eva Soban, a mostra percorre diferentes momentos da arte nacional ao aproximar artistas históricos e contemporâneos que fizeram do fio, do tecido, da trama e do bordado instrumentos permanentes de experimentação e criação. A exposição Tecituras é apresentada pelo Ministério da Cultura, Return, Zurich Santander e Esfera.
Ao apresentar Tecituras, o Farol Santander São Paulo reafirma seu propósito de realizar exposições que colocam em diálogo diferentes momentos da arte brasileira e promovem novas leituras sobre temas fundamentais da produção contemporânea.
“Sem se limitar à história da tapeçaria, a mostra revela como uma linguagem construída a partir de fios, tecidos e tramas continua produzindo novas possibilidades de criação“, analisa Bibiana Berg, head de Experiências e Cultura do Santander Brasil.
Mais do que apresentar um recorte histórico da tapeçaria, Tecituras evidencia como a linguagem têxtil passou por sucessivas transformações ao longo das últimas décadas. Em vez de organizar esse percurso cronologicamente, a exposição aproxima obras produzidas em diferentes períodos a partir de afinidades de linguagem, soluções formais e pesquisas materiais, revelando como técnicas tradicionais continuam sendo reinterpretadas por artistas contemporâneos. O visitante acompanha, assim, uma produção em constante renovação, capaz de estabelecer conexões entre memória, matéria, espaço e experiência sensorial sem perder de vista a riqueza dos processos manuais que a caracterizam.
Ao ocupar a galeria expositiva do 23º andar do Farol Santander, a mostra reúne tapeçarias, bordados, esculturas, instalações, objetos e projeções que evidenciam a diversidade da produção têxtil brasileira. Tear manual, tapeçaria bordada, crochê, tricô, costura, talagarça e tufagem aparecem ao lado de pesquisas desenvolvidas com lã, sisal, fibras vegetais, papel artesanal, vidro, cerâmica, cobre, latão, feltro e outros materiais, demonstrando como procedimentos tradicionalmente associados ao universo têxtil passaram a dialogar com diferentes linguagens das artes visuais.
Como observa a curadora Denise Mattar:
“Durante décadas a tapeçaria precisou afirmar seu lugar no campo da arte. Hoje, a presença cada vez mais frequente de obras têxteis em museus, galerias e bienais demonstra uma mudança significativa de perspectiva, fazendo com que procedimentos como tecer, costurar, bordar e entrelaçar assumam novos significados dentro da produção contemporânea.”
Tapeçaria Tecida
Para apresentar essa diversidade, a curadoria estruturou a exposição em três núcleos complementares. O primeiro, Tapeçaria Tecida, reúne artistas fundamentais para a
consolidação da tapeçaria moderna brasileira e revela como o tear deixou de ocupar apenas uma função técnica para tornar-se linguagem artística. Ao aproximar diferentes gerações, o núcleo evidencia a capacidade de renovação dessa produção por meio de pesquisas que ampliaram os limites tradicionais da tapeçaria.
Entre os principais destaques está Noturno (1988), de Jacques Douchez, um dos pioneiros da tapeçaria moderna no Brasil, cuja pesquisa incorporou volume e tridimensionalidade às composições. Também integra esse conjunto Corda Vermelha, de Norberto Nicola, monumental tapeçaria de 237 x 204 centímetros construída em tear manual com lã, fibras vegetais e pigmentos naturais, considerada um marco da produção brasileira.
A seleção reúne ainda trabalhos de Delba Marcolini, desenvolvidos com fibras de agave, palha da costa e outros elementos naturais, aproximando tradição artesanal e arte contemporânea. Representando a produção atual, Alex Rocca apresenta a inédita Manto Inzila (2026), obra de aproximadamente 2,30 metros de altura produzida em vidro, cerâmica e latão, que amplia o entendimento da prática têxtil ao incorporar materiais pouco convencionais em uma investigação sobre memória, ancestralidade e escultura.
Tapeçaria Bordada
O segundo núcleo, Tapeçaria Bordada, apresenta artistas que ampliaram significativamente as possibilidades do bordado e da tapeçaria ao incorporar novos repertórios visuais, cromáticos e técnicos. Reunindo obras de Genaro de Carvalho, Madeleine Colaço, Maria Angela Magalhães, Maria Helena Andrés, Gilda Azevedo, Poliana Toussaint e outros nomes fundamentais, o conjunto demonstra como linhas, pontos e texturas deixaram de exercer apenas uma função decorativa para ocupar lugar central na construção da imagem e da composição artística.
Entre os destaques estão duas importantes obras pertencentes à Coleção Santander. Em Rio Azul – da série dos Sítios, Genaro de Carvalho traduz para a tapeçaria um universo marcado pela exuberância da flora brasileira, pelas formas orgânicas e pela intensa pesquisa cromática que o tornou um dos principais renovadores dessa linguagem no país. Já Madeleine Colaço está representada por Babaçu, obra que sintetiza uma trajetória dedicada à valorização das paisagens, manifestações populares e referências culturais brasileiras por meio de uma técnica própria, conhecida internacionalmente como Ponto Brasileiro, desenvolvida a partir de adaptações do tradicional ponto arraiolo português. Juntos, os dois artistas contribuíram decisivamente para consolidar uma identidade brasileira para a tapeçaria, aproximando referências internacionais da cultura visual do país.
O núcleo também destaca a colaboração entre Maria Angela Magalhães e Iberê Camargo, parceria que levou para a tapeçaria a potência gestual da pintura do artista gaúcho. A presença desse trabalho reforça uma das ideias centrais da exposição: a produção têxtil brasileira sempre dialogou com outras linguagens das artes visuais, estabelecendo aproximações constantes com a pintura, o desenho, a gravura e a escultura.
Experimentos
Se os dois primeiros núcleos revelam a evolução da tapeçaria e do bordado, Experimentos apresenta o momento em que a produção têxtil rompe definitivamente suas fronteiras históricas para ocupar novas dimensões da arte contemporânea. Dividido entre Históricos e Contemporâneos, o núcleo reúne obras que transformam fios, tecidos e superfícies em esculturas, instalações, objetos e experiências espaciais, evidenciando como a matéria têxtil passou a ser compreendida muito além de sua função original.
O percurso começa com referências fundamentais da arte brasileira, como Hélio Oiticica, Lygia Clark, Mira Schendel e Leonilson, artistas que expandiram radicalmente a compreensão do objeto artístico e abriram caminho para diferentes formas de experimentação. Em diálogo com esse legado, a exposição reúne Ernesto Neto, Leda Catunda, Adrianna Eu, Eva Soban, Hilal Sami Hilal, Jessica Costa, Marina Weffort, Renato Dib, Laura Villarosa, Luiz Hermano, Rosana Mokdissi, Clarisse Tarran, Andrea Dal’Ollio, Renata Meirelles e Guga Szabzon, evidenciando a pluralidade de pesquisas desenvolvidas atualmente em torno do universo têxtil.
Apesar da diversidade de procedimentos, esses artistas compartilham uma mesma disposição para investigar novas relações entre matéria, espaço e percepção. Ernesto Neto transforma tecidos e fibras em estruturas orgânicas que convidam à imersão; Leda Catunda incorpora cobertores, toalhas e tecidos industriais à pintura, criando superfícies acolchoadas que desafiam a bidimensionalidade; Hilal Sami Hilal utiliza papel artesanal para construir delicadas estruturas suspensas; Jessica Costa desenvolve grandes tapeçarias por meio da técnica da tufagem manual; Renato Dib ressignifica gravatas e peças do vestuário masculino em objetos tridimensionais; enquanto Marina Weffort, Laura Villarosa e Rosana Mokdissi exploram fios, organzas, resinas e tecidos para construir trabalhos que transitam entre instalação, escultura e desenho. Em conjunto, essas obras demonstram como a produção têxtil contemporânea se consolidou como um território aberto à investigação artística, incorporando continuamente novos materiais, técnicas e escalas.
Entre as obras produzidas especialmente para Tecituras estão a instalação inédita de Adrianna Eu, concebida para dialogar com o lustre monumental localizado no hall do Farol Santander, estabelecendo uma relação direta entre a arquitetura do edifício e o percurso expositivo, além de novas produções de Andrea Dal’Ollio, Eva Soban e Leda Catunda, reafirmando o compromisso da mostra em reunir obras históricas e criações desenvolvidas especialmente para esta edição.
Ao reunir artistas que marcaram profundamente a produção brasileira entre as décadas de 1950 e 1980 com criadores que vêm expandindo essa linguagem desde os anos 1990, Tecituras demonstra que a arte têxtil nunca permaneceu estática. Ao contrário, consolidou-se como um campo em permanente transformação, capaz de incorporar novos materiais, procedimentos e modos de fazer sem romper com a tradição que lhe deu origem.
Ao longo de quase sete décadas de produção, a exposição evidencia como tapeçarias, bordados, esculturas, instalações e objetos compartilham uma mesma vocação para experimentar a matéria e ampliar os limites da criação artística. Mais do que um panorama histórico, Tecituras revela uma linguagem viva, em constante reinvenção, que segue conectando memória, técnica, inovação e experiência sensorial na arte brasileira contemporânea.
Considerando que a obra têxtil tem um forte aspecto sensorial, a curadoria da exposição Tecituras desenvolveu um projeto de acessibilidade que permitirá ao público ter contato com amostras dos materiais usados por alguns dos artistas. Lãs, linhas, tramas e tecidos poderão ser tocados pelos visitantes, em mediação com o educativo da mostra.
Serviço – Exposição Tecituras
Local: Farol Santander – Andar 23
Endereço: Rua João Brícola, 24 – Centro, São Paulo
Período: 17 de julho a 18 de outubro
Horário de Visitação: terça a domingo / 09h às 20h
Ingressos: a partir de R$ 22,50 (meia)
** Ingresso dá acesso a todos os andares do Farol Santander abertos ao público
** Cliente Santander tem 10% de desconto na compra com cartão do banco Classificação Indicativa: Livre
Redes Sociais: @farolsantander / @mattadenise / @mgproducoes_ / @maisprodutora.art
Mais informações à imprensa
Marra Comunicação – Assessoria de Imprensa Santander Brasil (Cultura e Patrocínios)
Paulo Marra: paulo@paulomarra.com.br / (11) 99255-3149
Vinícius Oliveira: vinicius@paulomarra.com.br / (11) 95946-2063
Gabriel Lucena: gabriel@paulomarra.com.br / (11) 98513-3022
